Estácio da Veiga
Com pouco propósito da minha parte, pois muitos autores se têm ocupado deste ilustre tavirense aristocrata e investigador pioneiro da arqueologia científica em Portugal, é com toda a humildade que partilho esta meia dúzia de apontamentos.
Sebastião Phillipes Martins Estácio da Veiga
Tavira, 6 de Maio de 1828 - Lisboa, 7 de Dezembro de 1891
Estácio da Veiga oriundo de famílias de ilustres militares é, e muito justamente, considerado o pai da arqueologia portuguesa sendo autor da Carta Arqueológica do Algarve (1878).
A presente biografia de Sebastião Estácio da Veiga não será mais do que um ensaio, ou melhor dizendo, uma recolha biográfica de Sebastião Estácio da VeigaEstácio da Veiga, de seu nome completo Sebastião Philippes Martins Estácio da Veiga, nasceu na cidade de Tavira no dia 6 de Maio de 1828 e batizado na Igreja de Santa Maria de Tavira.
Sua família, pertencente à nobreza algarvia de cariz rural, estava claramente ligada às letras, à política e às armas.
Ilustre aristocrata possuidor de vasta erudição, homem trabalhador sendo o primogénito do casamento de José Agostinho Estácio da Veiga com Catarina Philippes Martins.
Forma-se em Engenharia de Minas
Não é por acaso a sua primeira grande publicação arqueológica dizer respeito à escavação que efetuara na Quinta da Torre d’Ares, pertença da sua família, uma vez que é prova notória da sua vontade de preservar a memória e glorificar a sua terra natal.
Carta Archeologica do Algarve (1878), é a obra fundamental para o estudo da arqueologia algarvia.
Sebastião Estácio da Veiga foi de facto um tavirense pioneiro da arqueologia portuguesa, numa época em que a arqueologia era "uma ocupação" de gente culta, de militares, de pessoas com posses e conhecimentos históricos.
Foi pioneiro no levantamento arqueológico do Algarve, a convite de Fontes Pereira de Melo, trabalhos que tiveram início em Mértola e Alcoutim após as gigantescas inundações de Novembro / Dezembro de 1876.
Numa época de comunicações difíceis e partindo de escassa informação, Estácio da Veiga logrou reconhecer, escavar, levantar plantas, fotografar e desenhar artefactos de um vastíssimo número de sítios arqueológicos, primeiro, por sua conta, entre 1865 e 1866, depois, por encomenda pública, entre 1877 e 1878, prolongados por novos reconhecimentos, em 1882, calcorreando o Algarve do Sotavento ao Barlavento... da Serra ao Barrocal e ao Litoral contribuindo para a reconstituição histórica dos concelhos de Tavira, Alcoutim, Mértola, Faro, Loulé, Albufeira, Portimão, Silves, Lagos, Aljezur...
Foi a todo o lado, identificou o que havia para identificar e interveio a preceito em muitos locais, uma vez que se impunha, na sua perspectiva, a colecção das necessárias “provas” para a cartografia, recolha de materiais, desenhos e elaboração de textos de todos aqueles antigos lugares.
Estácio da Veiga foi verdadeiramente o primeiro arqueólogo profissional português.
Naturalmente que os seus trabalhos e recolhas criaram grandes polémicas naqueles perturbados anos de uma monarquia com um turbilhão de ideologias:
.... romantismo, socialismo utópico de Thomas More, socialismo científico de de Karl Marx, anarquismo, liberalismo, nacionalismo, republicanismo, etc. etc. etc. provocando e alimentando conflitos com os mais variados políticos daquela época caracterizada pelo "rotativismo" de que destaco Fontes Pereira de Melo um seu incondicional apoiante.
1866 - Plantas da Serra de Monchique Observadas.
1866 -Os Povos Balsenses, Sua Situação Geográfica e Física, Indicada por dois Monumentos Romanos Descobertos em Tavira ,
1877 - Memórias das Antiguidades de Mértola ,
1878 - Descoberta de notáveis necrópoles pré-históricas de Aljezur e Alcalar
1878 - Carta Arqueológica do Algarve
1880 - Memória das Antiguidades de Mértola
1880-1881 - Museu Arqueológico do Algarve - na Academia Real de Belas-Artes de Lisboa (1)
1886-1891 - As Antiguidades Monumentais do Algarve (quatro volumes)
(1) Muitas e variadas foram as peripécias passadas por Estácio da Veiga com a criação deste museu.
Deixo uma resumida transcrição do ilustre arqueólogo:
"Lá está no Museu do Algarve esperando que corra a notícia da minha morte para lhe lançarem a mão assim como às mui valiosas e preciosas collecções oficialmente inventariadas em meu nome."
(O Archeologo Português, Vol. XI, 1910, 22)
Actualmente o Museu tem morada no Mosteiro dos Jerónimos, para onde foram transferidas as coleções em 1903.
O apoio de Amélie Claranges du Lucotte, esposa de Estácio da Veiga, uma excelente aguarelista francesa, está bem patente nos seus desenhos dos mosaicos encontrados no Algarve.
De facto, a presença de Amélie nas escavações – algo impensável à época – foi uma importante ajuda e uma prova de como a família esteve junto do arqueólogo em todos os momentos do seu trabalho.
AMOSTRA DO PRECIOSO ACERVO
Bibliografia
https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/33678/2/ULFBA_TES1114_versaofinal_AnaMargaridaFilipe.pdf
https://pt.wikipedia.org/wiki/Est%C3%A1cio_da_Veiga
https://www.museunacionalarqueologia.gov.pt/arqueologoportugues/o_arqueologo_portugues/serie_4/volume_22/estacio_alcoutim.pdf
https://www.museunacionalarqueologia.gov.pt/?p=11739
https://core.ac.uk/download/pdf/61430285.pdf
https://www.academia.edu/39976958/Est%C3%A1cio_daVeiga_e_a_Carta_Archeologica_do_Algarve_1876_1891_o_nascimento_da_moderna_arqueologia_portuguesa
https://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=projetos&subsid=2345257
https://www.academia.edu/7363188/Vida_e_Obras_de_Est%C3%A1cio_da_Veiga
https://www.academia.edu/34887985/Arqueologia_no_Concelho_de_Silves_O_Contributo_Pioneiro_de_Est%C3%A1cio_da_Veiga?auto=download&email_work_card=download-paper


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